Holocautro Animal: impactos sócio-ambientais causados pela cadeia produtiva da carne

HOLOCAUSTO ANIMAL: IMPACTOS SÓCIO-AMBIENTAIS CAUSADOS PELA CADEIA PRODUTIVA DA CARNE

 

Eng. Agrônomo Sandomar de Angelo da Silva

 

O Brasil desponta atualmente entre os grandes produtores e exportadores de diversos produtos do agronegócio mundial aos quais a pecuária e a soja são os protagonistas. Da população bovina, 80,3% estão concentradas entre os dez maiores produtores e o Brasil possui o maior rebanho comercial com cerca de 212,3 milhões de cabeças de gado. Os pecuaristas procuram a melhoria na eficiência da produção através de diversas combinações de dietas ricas em nutrientes para diminuir o tempo de abate e assim, promover aumento das taxas de rentabilidade da pecuária e a soja é a principal aliada fornecendo produtos e subprodutos de alto valor nutricional, suprindo as necessidades alimentares do gado nas épocas de confinamento. O Brasil possui uma produção anual de cerca de 42 milhões de toneladas de soja e mais de 70% dela é utilizada para alimentar o gado, tanto na forma de grãos quanto processada em farelo, que é a principal fonte de proteínas usadas em ração animal no mundo. Os principais mercados exportadores desse produto são países da Europa e os Estados Unidos, atual maior produtor mundial de carne processada. O Brasil é o segundo maior produtor de carne e de acordo com o Ministério da Agricultura, consome, por habitante, cerca de 37,4kg de carne anualmente. O foco da produção são mercados asiáticos como a China.

A cadeia produtiva da carne é responsável por gerar até 40% do PIB agrícola de muitos países e 1,3 bilhões de empregos no mundo além de fornecer as quantidades necessárias de proteína para 1/3 da população do planeta sendo um grande potencial contra a desnutrição. Porém quando aliada a falta de exercícios físicos e ao consumo excessivo pode promover problemas como a obesidade. Além de problemas à saúde humana, a cadeia produtiva da carne também promove interferências de ordem ambiental, à sociedade e relacionada a ética animal. A pecuária é responsável por exemplo a danos relacionados aos riscos a diversidade ambiental, desmatamento, assoreamento de rios, aparecimento e/ou agravamento de pragas em grandes culturas, erosões, dentro outros além de danos intensos ao agravamento do efeito estufa. Para produzir 1kg de carne são necessárias a utilização de cerca de 17 mil litros de água, emite 335kg de CO2 a atmosfera e 70% do gás metano lançado tem origem na pecuária em razão da digestão dos animais. Somente nos Estados Unidos são despejados nos rios e oceanos cerca de 53 mil quilos de dejetos (fezes, urina e sangue) oriundos do setor de produção da carne promovendo eutrofização de ecossistemas aquáticos, degradação de recifes de corais, zonas mortas em áreas costeiras e contaminação das águas. O consumo da carne também pode estar aliado ao aparecimento e/ou agravamento de câncer em vários órgãos e sistemas pela não produção natural de enzimas digestórias de carne, ingestão de patógenos (vírus, fungos e bactérias) por razão de processo contaminante no abate e também pela utilização no processo de produção do uso de pesticidas, hormônios e antibióticos nos animais. A carne processada é uma grande vilã na responsabilidade de vários tipos de câncer pela ingestão de componentes cancerígenos causando danos equivalentes a agrotóxicos como o herbicida glifosato e ao consumo de cigarros e álcool. A ingestão de carne vermelha pode estar relacionada com o aparecimento ou agravamento de outras doenças. 

A cadeia produtiva da carne também é o setor da economia onde mais se teve resgates de empregados em condições análogas à escravidão no ano de 2012 e pelo desperdício de alimentos. Para se produzir 1kg de proteína animal são necessários de 2 a 10 kg de proteína animal. Além de outros problemas de ordem social como êxodo rural, “engolimento” das pequenas propriedades pelas grandes corporações agrícolas e conflitos por terras e desarranjos político-sociais, a pecuária também promove maus-tratos aos animais com métodos de abates sanguinários e exploração animal desacreditando todo processos produtivo.

Várias Organizações não governamentais e o próprio governo promovem campanhas instituindo a redução ou retirada da carne do cardápio da população enaltecendo a riqueza de uma alimentação isenta de carne e promovendo lucros a saúde humana. As pessoas que desde sempre adotam uma dieta sem carne tem uma taxa 22% menor de índice de hospitalizações em relação as pessoas que consomem carne. Também existem campanhas contra o abate que se diz “humanitário” e de sensibilização quanto ao uso de produtos de origem animal. A segunda-sem-carne é uma campanha internacional que convida as pessoas a retirarem, um dia na semana, o consumo de carne e leite substituindo por uma dieta vegetariana porém essa projeto não isenta o processo de exploração animal. O ideal, pela ótica dos defensores dos animais é a eliminação de alimentos de origem animal porém existe a contraposição das consequências econômicas, politicas e sociais que a extinção dessa cadeia pode causar.

O debate deve ser realizado mas o que se deve levar em conta é a mudança de comportamento social da população e analisada, com sensatez, qual a postura ética e ecológica que cada ser humano têm perante os impactos que a cadeia produtiva da carne promove em nosso dia a dia. Todos temos a responsabilidade perante o planeta e muitas campanhas de educação ambiental são presentes em nosso cotidiano para sensibilização e conscientização do ser humano mas avaliar se elas têm valia para a vida de cada um e a vida do planeta têm apelo individual.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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IMPACTOS AMBIENTAIS DA PRODUÇÃO DE CARNE. Disponível em: <http://meioambiente.culturamix.com/natureza/impactos-ambientais-da-producao-de-carne> Acesso em 20/04/2016.

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VÍDEOS RECOMENDADOS

COWSPIRACY. Documentário, 2014. Disponível no Youtube.com <https://www.youtube.com/watch?v=7cR7hgq15Yw>

COWSPIRACY FACTS. Vídeo, 2014. Disponivel no Youtube.com  <https://www.youtube.com/watch?v=Z15IFNEk61w>